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Data da última atualização : Outubro de 2009

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Salários e produtividade (Estados Unidos)


O período do pós-guerra se caracteriza por um paralelismo entre o aumento dos ganhos de produtividade e dos salários reais. Isso estabiliza a parte salarial no total da riqueza produzida e possibilita ao capitalismo evitar, por um tempo, “uma superprodução que provenha justamente do fato da massa do povo não poder nunca consumir mais que a quantidade média de bens de primeira necessidade, que o seu consumo não aumente senão ao ritmo do aumento da produtividade do trabalho” (Marx [1]).

Tal é a explicação de base usada pelos marxistas do pós-guerra para compreender a prosperidade daquele período : “É inegável que na época moderna os salários reais aumentaram. Mas apenas no âmbito da expansão do capital, o qual supõe que a relação dos salários com os lucros permanece constante no geral. A produtividade do trabalho deveria então se elevar com uma rapidez que permitisse ao mesmo tempo o acúmulo do capital e o crescimento do nível de vida dos trabalhadores” (Mattick [2]). Em outras palavras, “salários e lucros podem se elevar se a produtividade cresce de maneira suficiente...” (Mattick [3]). Isso nos mostra que a escola de regulação não inventou nada de fundamentalmente novo : ela apenas prolongou uma análise já bem desenvolvida por Marx e seus sucessores [4].

A defasagem entre a produtividade e os salários se tornará óbvia e crescente a partir dos anos 1980. O desenvolvimento mais rápido da produtividade (curva superior) em relação aos salários (curva inferior) materializa a tendência natural do capitalismo de fazer crescer sua produção para além da demanda. Esta é a explicação fundamental da superprodução elaborada por Marx : “a superprodução tem especialmente como condição a lei geral de produção do capital : produzir à medida das forças produtivas (ou seja segundo a possibilidade que existe de explorar a maior massa possível de trabalho com uma massa dada de capital), sem ter em conta os limites existentes do mercado ou as necessidades solváveis...” [5]. Dito de outra forma : "a razão última de todas as crises reais é sempre a pobreza e o consumo restrito das massas, face a tendência da economia capitalista em desenvolver as forças produtivas como se elas não tivessem por limite o poder de consumo absoluto da sociedade" [6]. É isso também o que Engels sintetizava em uma de suas fórmulas : “Enquanto que as forças produtivas crescem em progressão geométrica, a expansão dos mercados prossegue, na melhor das hipóteses, em progressão aritmética” [7].
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[1] Teorias sobre a mais-valia, Décimo sexto capítulo: A teoria do lucro de Ricardo, § 3 : A lei da baixa da taxa de lucro, Editions sociales, tomo 2 : 559-560.

[2] Paul Mattick, Intégration capitaliste et rupture ouvrière, 1969, édition EDI : 151.

[3] Paul Mattick, Le capital aujourd’hui, publicado por Maximilien Rubel em Etudes de marxologie, n°11, juin 1967.

[4] Notadamente por Socialisme ou Barbarie (1949-67), uma revista marxista bem conhecida à época e que inspirou largamente a escola de regulação (Aglietta, Souyri, Lipietz, etc.) como podemos dar-nos conta por esta longa citação : “o capitalismo pode realizar um compromisso com respeito à distribuição do produto social, porque precisamente um ritmo do aumento dos salários que seja da mesma ordem que o crescimento da produtividade do trabalho deixa grandemente intacta a repartição existente. (...) A idéia clássica era a de que o capitalismo era incapaz de suportar aumentos de salários porque eles significavam automaticamente a diminuição dos lucros, por conseguinte, a redução do fundo de acumulação indispensável às empresas para sobreviver à concorrência. Mas esta imagem estática está fora da realidade. Se a produtividade dos operários aumenta em um ano em 4% e os salários igualmente, os lucros aumentam necessariamente também em 4%, pois que todas as coisas são iguais nessa proporção (...). A partir do momento que o aumento dos salários não excede substancialmente e de maneira sustentada os aumentos da produtividade, e são generalizados, os aumentos dos salários são perfeitamente compatíveis com a expansão do capital. Eles são mesmo indispensáveis no plano estritamente econômico. Numa economia que cresce a uma taxa média de 3% ao ano, e onde os salários correspondem a 50% da demanda final, qualquer desvio mesmo que pouco substancial entre a taxa de crescimento dos salários e a taxa de expansão da produção conduziria ao final de um tempo relativamente curto a desequilíbrios formidáveis, e a uma incapacidade de escoar a produção que não poderia ser corrigida par nenhuma ‘depressão’ mesmo sendo esta bastante profunda” (Socialisme ou Barbarie n°31, artigo escrito em 1959 e publicado em 1960).

[5]  Teorias sobre a mais-valia, Décimo sétimo capítulo: Teoria da acumulação de Ricardo, § 14 : Contradição entre o desenvolvimento irresistível das forças produtivas e a limitação do consumo como base da superprodução, Edition Sociales, tomo II : 637.

[6] Le Capital, Livre III, ch. XXX : Capital dinheiro e capital real, La Pléiade, Economie II : 1206.

[7] Prefácio à edição inglesa (1886) do livro I de O Capital, La Pléiade, Economie II : 1802.

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